Na oficina comunitária, onde o cheiro de madeira recém-cortada se mistura à tinta e à esperança, Ana, 10 anos, observava como mãos diferentes transformavam sobras em beleza. Numa parede, a imagem de São José Operário lembrava que o trabalho é serviço e dom. Curiosa, Ana perguntava de tudo; sua inquietação era um pequeno martelo batendo no coração da comunidade, chamando à atenção para o que importa.
Cada gesto lhe ensinava algo: Dona Marta, paciente, a orientou a lixar ao ritmo da respiração; Seu Augusto emprestava parafusos e histórias; Jéssica ajeitava o avental de Ana e dizia um simples obrigada. Ali, a menina começou a enxergar santos do cotidiano, de avental e luvas, cujo milagre era cooperar em silêncio. Percebeu que a gratidão nasce quando vemos o outro como presente, e não como ferramenta.
Num sábado, Ana decidiu preparar a Roda do Obrigado. Esticou um cordel entre as bancadas, pendurou cartões em forma de mãos e chamou todos. Um a um, escreveram seus agradecimentos: ao vizinho que varria, à senhora do café, ao rapaz que apertava os parafusos esquecidos. Quando chegou sua vez, Ana ergueu o cartão e disse: eu agradeço por me ensinarem a transformar coisas e o coração. E completou com as letras do catecismo: Em tudo, dai graças
.
A oficina silenciou-se e logo sorriu inteira. Quem recebia, brilhava; quem dava, sentia-se mais leve. Naquele dia, prateleiras ficaram mais firmes, brinquedos mais coloridos e pessoas mais próximas. Ana entendeu que a gratidão é ponte: une, fortalece e dá sentido ao trabalho. Desde então, cada prego batido virou oração e cada obrigado selou comunhão. Lição clara: expressar gratidão reconhece o dom do outro, multiplica a alegria e solidifica a comunidade.



