Pedro entrou no bosque num fim de tarde manso, o tipo de luz que parece rezar. As folhas conversavam baixo, e o ar cheirava a terra molhada. Depois da missa, ele gostava de caminhar ali, como quem ajeita por dentro o que o dia espalhou. A cada passo, descobria pequenos milagres: um pássaro que ousa cantar, a brisa que abre caminho no silêncio.
Foi então que tropeçou numa Raiz de Árvore que emergia do chão. Ajoelhou-se e, curioso, passou os dedos pelos sulcos da madeira. No coração, ouviu uma espécie de conselho: Não apareço, mas sustento
. A raiz lhe falou de estabilidade e de tudo o que o mantém de pé: a família, a fé aprendida em casa, o pão simples, o abraço que não custa nada. Pedro sorriu, como quem enxerga o invisível.
Pouco adiante, entre folhas, uma Pedra Brilhante fez um ponto de luz. Era minúscula, mas cintilava como se o céu tivesse caído em seu bolso. Na palma da mão, a pedrinha lhe lembrava as bênçãos discretas: um dever cumprido, um amigo que escuta, a água fresca, a própria respiração. Pensou na Providência que se esconde nas frestas do cotidiano.
Ali, entre a raiz que firmava e a pedra que brilhava, Pedro entendeu o fio que une chão e claridade: a gratidão. Sentou-se e rezou baixinho, não para pedir, mas para agradecer.
Obrigado, Senhor, pelas raízes que me sustentam e pelos pequenos brilhos que me visitam. Ensina-me a notar e a agradecer.
Na volta para casa, guardou a Pedra Brilhante no bolso e a lição no peito. Decidiu que, a cada noite, diria três ‘obrigados’ antes de dormir. Abraçou a mãe, elogiou a sopa, abriu a janela para o cheiro do bosque ficar. E compreendeu que a alegria cresce onde o coração se inclina para agradecer. Cultivar a gratidão, nas coisas miúdas de cada dia, é aprender a ver Deus no que parece pequeno.



