O vulcão respirava em sopros quentes, como se carregasse no peito as mesmas pressas de Lucas. A trilha rangia sob as botas dos três amigos, e cada passo parecia acordar a montanha e, com ela, os medos. Ana seguia ao centro, atenta às palavras, enquanto Rafael deixava escapar sorrisos que iluminavam fissuras escuras.
“E se der errado? E se o vento virar?”, disparou Lucas, olhando o céu com olhos miúdos. Ana aproximou-se e sussurrou: “Respira comigo”. Puseram a mão sobre o coração, fizeram o sinal da cruz e, por um instante, o barulho interno cedeu. “Reza comigo: Jesus, eu confio em Vós.” O vulcão não mudou, mas o compasso do peito ficou menos apressado.
À meia-altura, um ronco profundo fez a encosta tremer. Lucas travou. “Eu não consigo. Vou voltar.” Rafael então revelou o que escondia: “Eu também tenho medo, Lucas. Tenho medo de decepcionar quem amo. Mas escolho enxergar a luz mesmo quando a fumaça cobre o caminho.” Ele estendeu a mão. “Um passo de cada vez. Se faltar a tua coragem, a minha empresta.” Ana completou: “A ansiedade grita; a graça sussurra. Ouçamos o sussurro.” E ficaram alguns segundos em silêncio, respirando e rezando baixinho.
No topo, o vento já não era ameaça, mas notícia de altura. O craterão dormia numa vigília quente, e o horizonte, alargado, parecia um abraço. Lucas percebeu que a montanha não apagou seus temores, apenas mostrou que eles não eram senhores do seu caminho. Olhou para os amigos e sorriu: a travessia havia sido feita a três.
A lição ficou gravada como trilha na lava: a ansiedade é parte da vida, sinal de que somos frágeis, mas não destino final. Com amizade, oração e passos pequenos, ela perde o comando. Não estamos sozinhos.
“Lançai sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.” (1Pd 5,7)



