Luzes Pequenas no Apartamento-Mar
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Luzes Pequenas no Apartamento-Mar

O apartamento de dois cômodos era um mundo inteiro: o corredor virava passarela de castelo, a janela, farol sobre um mar de telhados, e o sofá, jangada em tardes de aventura. No espaço pequeno, tudo ficava perto; os olhos aprendiam a notar migalhas de luz e sussurros de alegria. Ali, a gratidão podia nascer de detalhes.

Lucas, curioso, vasculhava frestas e gavetas, achando tesouros esquecidos. Sofia, sonhadora, trazia esperança quando o dia nublava. Mateus, prático, achava soluções com fita, barbante e coragem. E Tico, o cachorro leal, guiava a tripulação com um rabo que parecia bússola para o que é bom.

Numa tarde de chuva, a luz faltou. O bolo improvisado não cresceu, o passeio foi cancelado, e as sombras alongaram as dúvidas. O apartamento, apertado, pareceu encolher o ânimo.

— Não sobrou nada para agradecer — resmungou Mateus, girando uma lanterna fraca.

— Até as luzes foram embora — suspirou Lucas, abraçando Tico.

— E se Deus estiver escondido aqui, no escuro? — perguntou Sofia. — Talvez Ele queira que a gente aprenda a ver.

Tico latiu e correu até o armário do corredor. Entre caixas, Lucas encontrou uma velha caixa de sapatos: um cartão da avó, a tampa de garrafa da festa no terraço, o parafuso que salvou a cadeira, e um pequeno terço esquecido. As contas, tocadas pela lanterna, cintilaram como vaga-lumes, e o apartamento pareceu alargar o coração.

— Isso é um mapa do que já recebemos — disse Lucas, com os olhos brilhando.

— Cada coisinha é um milagre pequeno — murmurou Sofia. — Obrigado, Senhor, por nos ensinar a ver.

— Se a gente lembra, a tristeza encolhe — concluiu Mateus. — Vamos agradecer por cada uma.

Sentados à mesa estreita, aqueceram o pão amanhecido, dividiram risos e memórias, e Tico ganhou um pedacinho como prêmio. Quando a luz voltou, perceberam que já havia outra luz acesa: a da gratidão. O apartamento, por ser pequeno, convidava a intimidade e a valorizar os pequenos momentos que Deus semeia no cotidiano.

A gratidão não espera o extraordinário; ela reconhece o milagre no que cabe na palma da mão.

Lição: Expressar gratidão pelas coisas simples abre nossos olhos para a alegria, fortalece a amizade e nos lembra que Deus habita nos detalhes de cada dia.

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