Na vasta PlaníCie, onde o vento reza e a terra guarda silêncio de igreja, vivia a família de João e Maria. Muitos os chamavam de santos do cotidiano, pois suas mãos calejadas sabiam trabalhar e bendizer. Pedro aprendia a conter a pressa; Clara via milagres na relva. Estrela, o cavalo, amava a liberdade, mas escutava as rédeas do tempo; Lúcio, o cachorro leal e brincalhão, semeava risos que viravam reflexão.
Naquele ano, semearam trigo tardio. A PlaníCie parecia suspender a respiração. Estrela abria sulcos como quem escreve oração no chão; Lúcio corria e, num descuido, desenterrou um broto. Pedro quis recomeçar tudo; Maria recolocou a muda com doçura e sussurrou que o céu tem ritmos que não se apressam. João, perseverante, apertou a enxada e disse que a força é permanecer.
Os dias passaram sem espigas, e a tentação de arar novamente caiu como sombra. Ao entardecer, rezaram o terço; Maria o pôs nas mãos inquietas de Pedro, João fitou o horizonte, Clara ofereceu silêncio. A Palavra acendeu-se:
Na vossa paciência possuireis a vossa alma(Lc 21,19).
Na manhã seguinte, verdes discretos rasgaram o solo. Eles escolheram esperar com fé, vigiar o céu, acolher sol e chuva, sem desistir.
Quando o tempo se cumpriu, a planície virou mar de ouro. Colheram juntos; Estrela galopou leve, Lúcio rodopiou contente, Clara cantou, e Pedro sorriu longo como o horizonte. Em casa, partiram o pão; o aroma do trigo novo subiu como hino.
Lição moral: a paciência, regada por oração e trabalho, faz amadurecer os frutos no seu tempo; quem sabe esperar colhe paz, união e a alegria de ver Deus completar o que semeamos.



