O Balcão das Mãos Unidas
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O Balcão das Mãos Unidas

No bairro havia uma pequena loja chamada Armazém Silva, onde não se vendiam objetos, mas coisas que o coração precisa: frascos de paciência, pacotes de perdão, sacos de escuta atenta e, atrás do balcão, caixas de tempo juntos. A loja era o lar transformado em prateleiras. Antônio cuidava do estoque como quem rega um jardim; sua mão calejada ensinava responsabilidade. Maria organizava a vitrine com carinho: cada etiqueta era um gesto de cuidado, cada preço lembrava que o que vale mesmo não se mede em moedas.

Lucas, o mais velho, achava que podia administrar tudo sozinho. Via a rapidez como virtude e a união como peso. Ana, a do meio, lia as entrelinhas e mediava silêncios, etiquetando as mercadorias com palavras mansas. Pedro, o caçula, distribuía troco em sorrisos, inocente e curioso, trazendo leveza aos corredores apertados.

Num sábado de grande movimento, Lucas decidiu pôr em promoção o “tempo juntos” sem consultar ninguém. Ana percebeu que, sem cuidado, faltaria para quem mais precisava. A discussão esquentou atrás do balcão. Nesse instante, Pedro subiu na escada para alcançar os frascos de confiança e a prateleira inclinou. Os vidros começaram a deslizar. O rumor estremeceu a loja-lar: clientes recuaram, e a esperança quase caiu ao chão.

Antônio ergueu a voz: “Mãos, agora!” Maria, serena, distribuiu tarefas. Lucas segurou a prateleira com força, Ana acolheu os clientes com calma e orientou o fluxo, Pedro juntou os cacos com cuidado, sem ferir ninguém. Em poucos minutos, o perigo passou. No silêncio que veio depois, Lucas baixou os olhos: pediu perdão. Ana sorriu e assentiu. Maria, com ternura, recolocou no alto o frasco de confiança. Antônio apenas disse: “Sem vocês, não há balcão que aguente.”

Rezaram um instante, em gratidão, e no quadro de ofertas escreveram: “Hoje, toda compra leva um pouco de paciência.” Ao lado, deixaram um lembrete em fé:

O amor tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Naquela loja que simbolizava o lar, aprenderam que a moeda verdadeira é o amor, e o lucro real é o respeito. Quando cada um oferece o melhor de si, a economia do coração prospera: o perdão repõe o estoque, a união sustenta as prateleiras e a alegria de Pedro fecha o caixa com gratidão. Moral: no lar, como na loja, o apoio mútuo multiplica o bem; divididos, perdemos, mas unidos, tudo se renova.

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