No pequeno Posto de Guarda da vila, onde a noite repousa sobre a estrada e a lamparina vela cada caminho, Léo, curioso, e Tita, sábia e empática, faziam seu turno. Ali, aprenderam que proteger não é só olhar para fora, mas também guardar o coração do outro. O posto era conhecido por receber gente diferente, e cada viajante deixava um traço, como páginas de um caderno que a comunidade lia com respeito.
Enquanto observavam a fila de passos, passaram um vendedor barulhento, uma senhora silenciosa e um cão cansado. Tita dizia que o segredo era escutar. E repetia em voz baixa, como quem reza: vigiai e orai. Léo anotava regras; Tita anotava gestos. Ambos buscavam o mesmo: cuidar.
Numa noite de vento, aproximou-se um grupo de viajantes. Um deles ergueu uma lanterna azul. O manual antigo do posto dizia que azul era sinal de perigo. Léo correu para o sino. Tita segurou sua mão. Pediu que, antes de soar, perguntassem. Léo retrucou que regras salvam. Tita respondeu que regras guardam as portas; o diálogo guarda as pessoas. Então foram, com prudência, e perguntaram.
Os viajantes explicaram que, na terra deles, a lanterna azul é pedido de paz. Estavam cansados e queriam abrigo. Léo afrouxou o peito. Partilharam água e pão, e a noite desacelerou. O posto permaneceu vigilante, mas agora também mais acolhedor.
Ao amanhecer, Léo e Tita pintaram uma pequena placa: Aqui se vigia com olhos e coração. Léo agradeceu por ter aprendido a perguntar antes de julgar. Tita agradeceu pela prudência dele, que manteve todos seguros. E prometeram guardar a vila com respeito às diferenças.
Lição moral: Quem vigia com amor não exclui; busca entender. Tolerância e respeito protegem melhor que qualquer muro e constroem convivência de paz.



